O recente caso que viralizou na internet, da moça que se recusou a ceder o seu lugar no avião para uma criança que queria se sentar próxima da janela, sendo acusada de ser sem empatia pela mãe, é um exemplo do que podemos chamar de compaixão instrumentalizada
Esse termo foi criado pelo iconógrafo Jonathan Pageu, para se referir ao uso da compaixão para tirar proveito das outras pessoas. Ele usa como a exemplo a passagem dos evangelhos (João 12: 1-8) onde Judas critica Maria de Betânia por ter gastado dinheiro em um perfume caro para ungir os pés de Cristo, argumentando que esse dinheiro podia ter sido dado aos pobres.
Apesar da sua justificativa aparentemente nobre, Judas tinha acesso à bolsa onde se guardava o dinheiro e tinha o costume de roubar parte do que era depositado ali. Ou seja, seu apelo a compaixão pelos pobres era apenas uma forma de tirar vantagem para si mesmo. Isso é compaixão instrumentalizada.
O uso dessa estratégia se tornou tão comum na nossa cultura que as pessoas estão completamente saturadas disso, o que é explica a reação viral ao vídeo. As pessoas que gostam de ser vistas como boas são mais vulneráveis a esse tipo exploração, pois entram em pânico e cedem ao serem taxadas de sem empatia, preconceituosa ou algo do genêro. Elas se tornam presas fáceis de narcisistas que aprendem a explorar essa fragilidade.
Não há nada de errado com a empatia, especialmente voltada para pessoas que estão em situação de dificuldade real, mas não podemos esquecer que também existem pessoas que estão dispostas a se aproveitar da boa vontade alheia sem nenhum remorso. “Portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas”( Mateus 10:16)