Desde os primórdios da psicoterapia, muito se fala sobre os efeitos dos traumas na psique. É inegável que essas experiências podem afetar profundamente a constituição da personalidade.

O trauma ocorre quando uma experiência provoca uma dor emocional ou uma ansiedade que ultrapassa a capacidade do indivíduo de processá-la.

Assim como um disjuntor desarma para evitar que uma sobrecarga danifique a rede elétrica, a psique pode recorrer à dissociação para se afastar de uma dor insuportável e evitar um colapso.

Esse mecanismo de defesa busca proteger o indivíduo do sofrimento e evitar que ele volte a se expor a experiências semelhantes.

Nessas situações, pode ocorrer uma divisão na personalidade: um que amadurece precocemente para lidar com o mundo, e outro, oculto, que permanece vulnerável e infantil.

Embora esse sistema de defesa tenha surgido para proteger a parte mais vulnerável, ele pode se tornar rígido a ponto de afastar o indivíduo até mesmo de relações saudáveis.

Um conto que representa essa dinâmica é o de Rapunzel. Nele, a bruxa a mantém presa em uma torre sob o pretexto de protegê-la, mas acaba impedindo que ela explore o mundo e estabeleça relações.

A psicoterapia gradualmente flexibiliza essas defesas, por meio da construção de um vínculo seguro, ajudando o paciente a entrar em contato com suas dores e sair de sua torre.

Os símbolos são fundamentais, pois ajudam a dar forma a emoções difíceis de expressar. Por isso, o trabalho com sonhos, desenhos e outros materiais expressivos facilita a compreensão e elaboração dessas emoções.