Arquétipos são padrões fundamentais da psique humana, que aparecem de diferentes formas em diferentes épocas e culturas. Eles podem se expressar em imagens, histórias e símbolos. Um desses arquétipos é o do rei.

O rei é um dos arquétipos masculinos mais universais. Prova disso é o fascínio que as histórias de reis exercem sobre as pessoas em todas as épocas, mesmo entre aqueles que nunca viveram em uma monarquia.

O arquétipo do rei representa o masculino em seu pleno desenvolvimento, envolvendo equilíbrio, ordem e sabedoria. Essa capacidade de ordenar fazia com que os reis fossem vistos, em muitas culturas, como representantes de Deus na Terra.

Em seu aspecto ordenador e legislador, o rei representa a capacidade de resolver problemas e transformar o caos em ordem. É como Salomão que, diante das duas mulheres que disputavam a mesma criança, encontra uma solução simples e perspicaz.

Sua capacidade de organização e sua visão ampla fazem com que as coisas ao seu redor funcionem e prosperem. Por isso, o rei também é associado à fertilidade e à abundância.

Em seu aspecto positivo, ele é aquele que governa por meio do serviço ao outro, sendo uma fonte de orientação e proteção para os outros. Esse arquétipo ajuda na passagem do estado infantil, que busca apenas ser servido, para uma posição madura, capaz de assumir responsabilidades e servir.

Em seu aspecto sombrio, o rei se torna o tirano: aquele que teme a perda do controle e fará de tudo para impedir que os outros cresçam. É como Herodes, que ordena a morte dos inocentes ao saber do nascimento de Jesus. O objetivo do rei imaturo é  somente ser servido e nunca servir.

O rei também pode assumir a forma do fraco: aquele que abdica de seus deveres de organização, resolução e proteção, deixando aqueles ao seu redor vulneráveis ao caos, à corrupção e às ameaças externas.

Lidamos diariamente com os dois polos desse arquétipo. Ter consciência deles nos ajuda a nos alinhar às forças construtivas desse arquétipo e, ao mesmo tempo, a reconhecer e lidar com suas tendências sombrias, presentes em todos nós.