Todos nós passamos por situações difíceis, algumas decorrentes das nossas escolhas e outras completamente fora do nosso controle. Da mesma forma, as pessoas ao nosso redor também enfrentam perdas, fracassos e momentos de sofrimento. Nessas horas, nem sempre sabemos como agir.

Imagine a seguinte situação: você acaba de perder o emprego e chega em casa.

Em um cenário, a pessoa que o recebe o acolhe, ajuda a organizar os pensamentos, procura compreender o que levou àquela situação e pensa, junto com você, nas possibilidades que ainda existem.

Em outro cenário, essa mesma pessoa entra em desespero, procura culpá-lo pelo que aconteceu, diz que você deveria tê-la escutado e afirma que agora está tudo perdido.

A situação é exatamente a mesma. O que muda é a maneira como alguém reage diante dela. Em um caso, encontramos uma voz que traz calma, organização e esperança. No outro, uma voz que amplia o medo, a culpa e o desespero.

Sempre que possível, devemos evitar ser essa voz do desespero, especialmente quando o pior já aconteceu e a pessoa está lidando com as consequências. Nesses momentos, vale a pena perguntar: como eu gostaria de ser tratado se estivesse no lugar dela?

A situação é diferente quando a pessoa demonstra desprezo pelas consequências dos próprios atos ou se recusa completamente a assumir qualquer responsabilidade. Nesses casos, uma atitude mais firme pode ser necessária.

No entanto, quando alguém já está sofrendo e reconhece a gravidade do que aconteceu, acrescentar mais desespero raramente ajuda. Desenvolver autocontrole em momentos adversos e aprender a falar com serenidade é uma das habilidades mais valiosas que podemos ter

Além disso muitas vezes a forma como tratamos os outros acaba se tornando a forma como tratamos a nós mesmos. Quem faz da crítica e do desespero sua primeira resposta ao sofrimento alheio tende a agir da mesma maneira quando enfrenta seus próprios fracassos.

Talvez seja por isso que a máxima de Jesus permaneça tão atual: “Com a medida com que medirdes os outros, também sereis medidos.” Antes de ser apenas uma regra moral, ela descreve uma profunda realidade psicológica.