Na mitologia grega, Aglauro era irmã mais velha de Herse, possuidora de uma beleza que superava a de todas as outras mulheres de Atenas. O deus Hermes apaixonou-se por Herse e pediu humildemente o consentimento de Aglauro para se proximar de sua irmã mais nova.

Aglauro, porém, consumida pela inveja, tentou expulsá-lo, sentando-se diante da porta para lhe barrar a entrada, afirmando que só sairia dali quando ele desistisse. Hermes, então, aceita o pacto e a transforma em pedra, para que ela nunca mais saia daquele local.

O mito de Aglauro mostra o efeito paralisante da inveja. Ao sofrer pela sorte de sua irmã, ela estagna em sua própria vida. A comparação com as vidas  alheia nos cega para as possibilidades diante de nós, direcionando nossa energia para o que não temos.

Na psicologia analítica, a inveja pode ser vista como uma projeção ou uma negação da própria sombra: uma projeção, quando  sofremos por enxergar nos outros nossos potenciais não desenvolvidos; uma negação, quando nos concentramos na vida do outro para fugir do esforço de lidar com a nossa.

Porém, quando nos tornamos humildes o suficiente para nos alegrarmos com as conquistas alheias, podemos aprender com o sucesso dos que estão ao nosso redor e facilitar o nosso desenvolvimento. A humildade transforma a sombra em uma fonte de recursos para o crescimento

A inveja parece uma pequena ofensa, de modo que, embora pareça leve para nós, não é temida; embora não seja temida, é desprezada; embora seja desprezada, não é facilmente evitada, e assim se torna uma forma secreta de ruína” São Cipriano.