O filme Cinderela retrata a história de uma orfã que foi criada por um pai bondoso, até cair nas mãos de uma madrasta sádica e suas duas filhas, que a exploram constantemente. Essa história contém alguns traços do que chamamos, na psicologia analítica, de complexo paterno positivo:
Falta de agressividade
Por ver a si mesma como uma pessoa boa, Cinderela acredita que reagir é errado, se tornando um alvo fácil para todo tipo de abuso. Na história, isso fica claro quando ela proibe até seu cachorro de se defender das provocações do gato de sua madrasta, chamado Lúcifer, o deixando em uma posição de humilhação. Pessoas com esse tipo de complexo têm essa mesma tendência a evitar conflitos.
Submissão excessiva
Cinderela acredita que a maneira de lidar com as demandas excessivas de sua madrasta é simplesmente obedecendo e não questionando, o que só aumenta sua carga de trabalho. Esse tipo de pessoa tende a lidar com maus tratos tentando ser mais prestativo e bondoso ainda, numa tentativa de ganhar o afeto daquele que a despreza, o que apenas gera mais desprezo.
Não reconhecimento dos próprios talentos:
Cinderela tem diversos talentos, como sua capacidade de costurar, fazer trabalhos domésticos e cantar. Porém, ela se mantém nas sombras enquanto suas irmãs sem talento assumem o centro das atenções. Essas pessoas esperam que os outros as reconheçam, não lutando pelo seu lugar, o que a deixa em segundo plano, mesmo em relação a pessoas menos talentosas.
Dissociação das emoções negativas
Quando algo ruim acontece, Cinderela tenta simplesmente ignorar aquilo e se manter positiva, confundindo resiliência com indiferença. Ela se dissocia das emoções negativas, que poderiam ajudá-la a reconhecer sua situação e lutar para mudá-la. Pessoas com esse tipo de complexo tendem a querer se manter positivas além do que seria saudável, se tornando cegas para certos problemas.
Conforme a história progride, Cinderela aprende a expressar seus desejos e enfrentar a madrastas e a irmã, permitindo até seu cachorro atacar o gato da madrasta, mostrando uma aceitação da agressividade. Só então ela escapa do seu claustro e realiza seu sonho de casar-se com o príncipe. Assim, é quando esse tipo de pessoa aprende a importância dos conflitos é que sua vida realmente pode se desenvolver.