O psiquiatra Rudolf Allers argumenta que, por mais que o psicólogo deva evitar questões teológicas, não lhe é permitido negligenciar o lado religioso da vida humana, pois esse é de enorme importância. Como diversos problemas podem surgir nessa área da vida, ele descreve alguns obstáculos psicológicos que podem impactar no desenvolvimento da religiosidade. 

A superstição

Por mais que essas duas coisas se confundam, a superstição é um obstáculo no desenvolvimento da vida religiosa. Isso porque a religião ensina o homem recorrer à Deus em busca de ajuda, mas aceitar quando os acontecimentos não correspondem à sua própria vontade. A superstição, pelo contrário, é uma tentativa neurótica de controlar a realidade e o destino seguindo certos procedimentos mágicos, o que se torna uma prisão para o indivíduo que a pratica. Muitos acabam ficando paralizados por não conseguirem dar um passo sem fazer algum tipo de procedimento mágico ou consultar algum oráculo.

O hábito de dar desculpas

O homem não pode progredir na sua vida religiosa se não quiser se tornar plenamente consciente dos erros que comete. Ao esconder seus erros diante da própria consciência, dando desculpas e tentando manter uma imagem de perfeição para si mesmo, ele perde a oportunidade de crescer com esses mesmos erros. O hábito de dar desculpas o tempo todo nasce da vaidade de negar seus erros.

Escrupulosidade

Uma manifestação oposta ao hábito de dar desculpas é a escrupulosidade, que é o medo excessivo de cometer algum pecado. Porém, a escrupulosidade não tem nada em comum com a busca sincera pelo desenvolvimento espiritual, mas é um dos outros frutos da vaidade, de querer parecer perfeito, principalmente aos olhos dos outros. A humildade de reconhecer suas fraquezas e trabalhar nelas também protege contra essa mentalidade neutórtica

Não aceitação da realidade

Muitas pessoas não conseguem desenvolver a vida religiosa por não aceitarem a realidade. Ao se revoltarem contra aspectos inerentes da vida, como a existência do sofrimento, das diferenças entre as pessoas e da mortalidade, elas agem como se Deus devesse tê-las consultado quando criou o mundo. Essa soberba prejudica a adaptação em todas as áreas da vida e faz a pessoa substituir uma atitude de diálogo com a realidade pela tentativa de controle frustrado da existência.

“A vida religiosa baseia-se principalmente – quando vista da perspectiva psicológica – em colocar o amor próprio no nível certo e em reconhecer a verdade… A religião ensina ao homem a reconhecer sua pequenez, seu desamparo, e a recorrer à graça e a misericórdia de Deus para obter ajuda, bem como confiar na Divina Providência para dispor as coisas da melhor maneira. A humildade é, portanto, a própria base da verdadeira atitude religiosa” Rudolf Allers.

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