O Puer Aeternus é a pessoa que mantém as características que são normais em um adolescente, ou jovem de até 18 anos, ao longo da vida toda, muitas vezes associadas à dependência prolongada dos pais. Esse quadro envolve diversos tipos de dificuldades de adaptação pessoal e social, descritos pela analista junguiana Marie-Louise Von Franz:
Recusa em adaptar-se
Esse tipo de pessoa tem grande dificuldades em se adaptar socialmente. Ele espera sempre que os outros se adaptem a ele, por se considerar alguém especial, levando a uma certa arrogância em relação aos demais, o que geralmente é uma compensação aos seus sentimentos de inferioridade. Por isso, podem se tornar individualistas ou antissociais.
Falta de compromisso
Outra característica é o sentimento constante de que nunca encontram aquilo que realmente procuravam. O trabalho nunca é exatamente o trabalho certo, a mulher ou o homem nunca são o ideal para um relacionamento, etc. Há sempre um “cabelo na sopa” ou um “mas” que não deixa a pessoa assumir compromissos definitivos, acompanhado por um sentimento de que a situação ideal será encontrada em algum momento no futuro.
A impaciência
Essas pessoas geralmente não gostam de atividades que requerem treinamento e disciplina, pois costumam ser impacientes. Ao mesmo tempo, possuem um ar sonolento e desligado, associado à falta de autocrítica. Isso é reflexo de uma expectativa inconsciente de receber tudo o que deseja sem esforço, como se a realidade tivesse o dever de serví-lo, assim como uma mãe tem o dever de levar o seio à boca do bebê ao ouvir seu choro.
O excesso de fantasias
O puer tende a ter um excesso de planos e fantasias, mas não buscar dar passos concretos para realizá-los. Quanto menos vivemos, mais essas fantasias crescem, assim como quando deixamos de nos alimentar, os pensamentos sobre a próxima refeição aumentam em nossa mente. Se essa situação de não realização se prolonga excessivamente, essas fantasias podem chegar a se tornar verdadeiros delírios.
A solução pelo trabalho significativo
Muitas vezes a pessoa se recusa a encarar a vida porque não quer abrir mão dos seus sonhos e simplesmente se tornar um adulto cínico. Por isso o problema desse tipo de pessoa se resolve quando elas escontram algum tipo de trabalho significativo, mas baseado em possibilidades reais, o que requer sacrificar as ilusões infantis e fazer uso das melhores alternativas disponíveis no momento, para chegar ao destino desejado:
“Aí você vê que quando o excesso de fantasias é contido, outra dimensão de consciência aparece. O horizonte não se estreita, pois a contenção das fantasias faz com que ele se alargue para o ser humano. Se a pessoa tem coragem de cortar esse tipo equivocado de fantasia de grandiosidade, o horizonte de sua vida se ampliará em vez de se estreitar, como ela imaginava. Se ela apenas soubesse o quanto sua vida se enriqueceria sem essas fantasias estéreis, talvez ela fizesse esse corte” – Marie-Louise von Franz